sexta-feira, 25 de junho de 2010

Linhas retas

O que fazes contigo seu moço?
Até quando andarás tão torto?
Caminhas pro fundo do poço;
Pareces já estar morto!

Tua vida tão fora do prumo
Serás um desperdício; outro aborto?
À deriva, sem achar o rumo
Como um barco que não acha o Porto.

Avião fora da rota
abelha sem o seu mel...
Como troféu tens derrota;
Aprecias o gosto do fel.

Vendestes a tua alma,
Enterrastes teu sentimento
Desconheces a palavra calma;
Para ti tudo é tormento.

Brincas com outras vidas,
A girar num carrossel...
Acumulas as tuas dívidas
Renegas o que vem do céu.

Traição é passatempo,
Destruir é diversão.
Finges a todo momento
Tens nos pés o coração.

Crês nas tuas mentiras
Como verdades profundas...
Carregas no peito iras
Te banhas em águas imundas.

Vida alheia é brinquedo
Desconheces a razão
Da Justiça não tens medo
Estás no mundo de ilusão.

Esconde-te de ti mesmo
Gastando teus tortos passos
Cambaleando por aí a esmo
Bebendo os teus fracassos.

Tentas preencher o vazio...
Mas confundes o desasfio.
Vives a vida por um fio...
Queimas em vão todo pavio!!!

Discernir não mais consegues
Te deparas incapaz...
Não há mal a que te negues
Preferes guerra à paz.

És estranha criatura
Nem sabes mais quem tu és
Mudas sempre de figura
Trocas as mãos pelos pés.

Outra existência perdida,
Presa na escuridão?
Já não buscas a saída;
Pareces não ter perdão.

É que ás vezes nesse mundo
É preciso muita dor
Pois somente ao alcançar o fundo
Conhecerás a palavra amor...

Sem ter mais pra onde ir
Por ajuda irás clamar
E se em verdade Lhe pedir
Descerá pra te salvar...

Só não caminhará por ti,
Mas indicará todas as setas
Pra que voltes a conseguir
Caminhar por linhas retas.

Tornarás então a rir,
Abrirás teu coração
Sentirás que até pra ti
Deus reserva a salvação.

Verás então, enfim a luz!!!
Com a esperança renovada
E Aquele que te conduz
Sorrirá em tua chegada...

Ao ver Seu filho resgatado
Após tanto padecer...
Teu espírito, porfim renovado
Podendo esse amor merecer!!!

MARCIA NESSE
em 29.10.2008

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